30/11/2021
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MÃES DE GÊMEOS AMAMENTAM?

Para responder essa pergunta, trago aqui um depoimento de uma mãe de gêmeos, Cristiane Mello Ristow, que espontaneamente me enviou seu relato para estimular outras mães com a sua linda experiência.   “Meu relato começa do momento em

Para responder essa pergunta, trago aqui um depoimento de uma mãe de gêmeos, Cristiane Mello Ristow, que espontaneamente me enviou seu relato para estimular outras mães com a sua linda experiência. 

 “Meu relato começa do momento em que soube que estava grávida. Ou melhor, um pouquinho antes. Tenho uma amiga-irmã, a Anay, que, na época em que engravidei, tinha um bebê de 8 meses. Acompanhei muito de perto toda a sua gestação e o início da vida do Leonel e a importância do aleitamento materno exclusivo. Foi ali o meu primeiro contato muito de perto com a amamentação, o vínculo mãe e filho, o amor e carinho transmitidos naqueles momentos, a importância para a saúde da criança. Conversávamos muito sobre isso é eu já tinha idéia do que queria para quando viesse o meu bebê: AME (aleitamento materno exclusivo), até os seis meses, e prolongada, pelo menos até os dois anos. Naquela época os medos dos ferimentos nos seios já rondavam meus pensamentos… 

Primeiro ultrassom: “vejo dois sacos gestacionais e dois embriões!”. Meus Deus! Gêmeos!! Dois bebês!! 

Fui me acostumando com a idéia e enquanto isso, devorei tudo quanto foi texto e depoimento sobre amamentar múltiplos. Sim! É possível! É super possível! Estava eu então toda cheia de conhecimentos e argumentos sobre o assunto. Era o que eu precisava. Ainda assim, ouvi ainda grávida que provavelmente não conseguiria nutrir dois bebês, que era muito difícil, senão impossível. Daqueles palpites e conselhos que você não pede, mas ouve…  

Não dei bola, afinal, tantas e tantas histórias de sucesso lidas no grupo FAG (Falando de Amamentação Gemelar), que minha confiança era inabalável. Mas o medo… ah… o medo continuava ali, grande…afinal, assim como li relatos de sucesso, também soube de muitas mães aflitas com seus recém-nascidos e suas dores, suas dificuldades iniciais, seus machucados e noites sem dormir.  

Dia 15/06/17 meus pequenos Cecilia e Roberto chegaram a esse mundo! Cecilia mamou o colostro logo nos primeiros minutos. Roberto nasceu mais preguiçosinho, mas mamou um pouquinho também. Teve desconforto respiratório e teve que ficar na UTI por dois dias. Lá, de cara deram LA (leite artificial) sem sequer me consultarem. Nem sei se fiquei brava ou triste. Não dava tempo de pensar. No dia seguinte do nascimento deles estava eu de pé, depois de uma cesárea, de 3 em 3 horas na UTI (é o procedimento) para amamentar o Roberto antes de oferecerem o complemento. A Cecilia ficou junto comigo, só mamando no peito. Mas, passados dois dias, perdeu peso e aconselharam dar LA para ela também. Concordei só porque a rotina entre quarto e UTI estava quase impossível…  

Bom, saímos da maternidade com prescrição de LA, mas nunca me esqueço das palavras do pediatra: “você é capaz de alimentar seus filhos com seu leite. Engraçado que o ser humano é o único animal que acha que isso não é possível…” Chegando em casa rasguei a prescrição de LA e ficamos só com LM, afinal, sobrava leite!! 

Mas… tudo tem um, mas…meus bicos dos seios estavam machucados demais. A cada mamada eu via estrelas de tanta dor… não imaginava uma melhora… precisava de ajuda profissional! Sozinha eu não estava conseguindo, apesar de achar que sabia todas as teorias, na prática era bem diferente.

E é aí que entra a Fanny! Ela me foi indicada por uma outra consultora de amamentação. Roberto e Cecilia tinham 8 dias de vida quando a Fanny esteve em casa. O que posso dizer? Foi espetacular! Ela me ensinou posições diferentes para amamentar, me ajudou a posicionar a boquinha deles para a pega correta, enfim, ficou horas conosco até que milagrosamente, mesmo com os seios feridos, já não sentia mais dor ao amamentar! 

O tratamento complementar aplicando o laser na região afetada dos mamilos também foi fundamental para a recuperação dos ferimentos, amenizando as dores e ajudando a seguir com a amamentação.  

E com o passar dos dias, seguindo suas orientações, os machucados foram melhorando, as mamadas se tornaram mais efetivas, e leite artificial?? Nem sei o que é isso! Nunca vi! Hahahaha  

Ontem, dia 15/09, eles completaram 3 meses de AME em LD (livre demanda)!! E seguimos assim!! Estão super saudáveis! Rumo aos seis meses de aleitamento exclusivo! Todas as vezes que vamos ao pediatra só ouvimos elogios!!

Amamentar gêmeos é uma realidade! É necessária muita informação, desejo, ajuda das pessoas próximas, mas é possível! Não se pode dar ouvido a palpites e opiniões negativas. Isso tem aos montes, mas também, por outro lado, existem muitas pessoas, como a Fanny, que acreditam no poder de amamentar!!! “

A produção de leite é diretamente proporcional a sucção do bebê. Sendo assim, tendo dois bebês mamando, o volume vai se estabelecendo e a mãe consegue dar conta do recado. Claro que não pode faltar bastante líquido e descanso sempre que possível. São essas experiências felizes que nos estimulam a continuar trabalhando, investindo amor e energia no nosso dia à dia. Obrigada Cristiane pela sua contribuição e pelas fotos (poucos dias e três meses completos)! “

Fanny Sarfati Kosminsky  

Mestre em Enfermagem Obstétrica e Neonatal pela EEUSP 

Consultora em Aleitamento Materno 

. Diretora de conteúdo da SOS Mammys  

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